domingo, 30 de setembro de 2012

A ausência não te matou - 3ª parte

...continuação

Tu contar-me-ás todas as diferenças culturais desse mundo por onde viajaste e eu assimilarei tudo quanto jorrar dessa tua boca de finos lábios. Lembraremos juntos todo o sofrimento por que passamos enquanto não tínhamos a companhia um do outro e, aí, poderemos rir, rir de um passado que não mais voltará. As experiências extremas que moldam o nosso carácter são fundamentais mas afiguram-se de forma muito mais positiva quando já passaram e não parecem querer voltar. Relembraremos para sempre com muito respeito aquele momento em que estavas preste a partir. Rompeste num pranto infindável face à incerteza do que irias encontrar por esse mundo fora enquanto viajavas pois, houvesse o que houvesse, não o irias enfrentar comigo. O meu papel era reconfortar-te e garantir-te que tudo iria correr bem mas a tristeza da separação e a saudade antecipada de perder a tua companhia deixaram escapar, sorrateiramente, uma pequena lágrima que depressa engrossou num rio imparável. O pior de tudo é o choque psicológico da separação. Num minuto estás indefesa a chorar nos meus braços e, no seguinte, partes sozinha para o mundo, com a força de um vulcão. Olhas para trás antes de embarcares. O teu olhar acompanha o meu até que dobras a esquina do horizonte. E já está... São meros segundos que transformam uma companhia incontável numa ausência duradoura. Antes de partires, fazemos promessas de amor eterno e de nunca mais partir sem a metade que nos completa. Eu digo-lhe que a espero com vontade de a tornar minha esposa. Ela diz que voltará com vontade de se retirar para o fim do mundo levando apenas a minha companhia. Promessas estéreis que nunca serão cumpridas.
E assim nos despedimos com um beijo de eterno compromisso marcando encontro para daí a seis meses, ali no mesmo sítio.

Fim

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