quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O que ele faz, faço eu também...

Todos os dias me levanto sozinho e sigo para onde me esperam. Há todo um processo rotineiro que nos ocupa a maior parte da nossa vida. Normalmente, três quartos do nosso dia a dia são consumidos por actividades rotineiras, processos reflexivos e irracionais transições entre compromissos. Se pensarmos que metade do tempo restante estamos ocupados pelo trabalho e aprendizagem de algo novo, resta-nos muito pouco tempo algo emocionante e experiências intensas. Confessemos que uma grande porção da nossa vida é chata, entediante e não passa de um conjunto de momentos de transição perfeitamente banais. Se não soubermos gostar desses momentos e aproveitá-los de alguma forma, então a nossa vida será desperdiçada algures entre a ambição dos feitos espectaculares por que ansiamos e a frustração de falharmos a nossa missão. Da Vinci não limitou a sua vida a pintar a Mona Lisa. O senhor também comia, dormia, passeava, amava, ria... Enfim, vivia. A vida não pode ser uma introdução à obra prima. Enquanto não é alcançado o ideal, o processo que é viver aguarda-nos e pede-nos que o aproveitemos. Por favor exaltem a banalidade! Artistas de todo o mundo, há prazer em tomar uma chávena de café, em correr atrasado para o trabalho, em ficar um dia inteiro estrechado no sofá. Não encontro referências ao prazer de conduzir ao fim-de-semana ou às musicas comerciais que não nos dizem absolutamente nada mas que ainda assim decoramos e gostamos de trautear. Por favor percebam, o mundo não é dos heróis. O mundo é das pessoas normais que gostam de fazer coisas normais e gostam de ver e perceber que tipo de coisas normais é que os seus semelhantes andam a fazer. Vamos todos exaltar a melhor parte do destino: a viagem até ele.

Sem comentários:

Enviar um comentário