segunda-feira, 1 de outubro de 2012
A ti, que te chamo lar
Nascida no meio do monte, entre a penha e o castelo, entre a cidade e a vila. Da pedra sólida e da vegetação inviolável, brotaste como uma das tuas límpidas nascentes. Não há no mundo água mais pura que a tua. A sua frescura inerente propicia a quem beber uma experiência indescritível que de certo fará recuperar as suas ligações com a natureza circundante. Na tua mítica calçada recebes calorosamente os viajantes e os perdidos. Quem palmilha o mundo inteiro, encontra em ti exclusividades incontáveis. Santuário de vida, oásis dos felinos sem dono. Terra da água e lar do verde. Sempre deste abrigo a sucessivas gerações que em ti procuraram refúgio e descanso. Proporcionas sensações e experiências únicas. As tuas noites escaldantes em que o céu estrelado ilumina as montanhas e os teus dias gélidos quando na estação fria te visitamos, não têm igual em lugar algum. As tuas gentes são boas e intrigantes. Cem anos seria pouco para desfrutar da sua companhia. A camaradagem, as memórias dos antigos e dos tempos que já não voltam. Há sempre uma nostalgia no ar que não nos deixa viver o presente nem pensar o futuro. O passado e quem o habitou são uma constante nos teus caminhos. Talvez seja por isso que o tempo aí passa tão devagar e a vida seja tão calma e prazenteira. Sentir a vida em cada fôlego, lembrar a história a cada momento. É uma verdadeira viagem ao cerne do nosso espírito e à periferia dos espíritos dos outros, daqueles que já partiram, daqueles que nos fizeram tal como hoje somos. A vasta tradição torna-te única. Os mundos que albergas se perderão. Outros os recordarão. Sempre haverá quem venha e te renove. Sempre haverá quem de muito longe venha só para te ver e te sentir, usufruir daquilo que ofereces de bom grado a quem quiser aproveitar. O sino que toca para guiar o povo e a fonte que corre para o saciar. Aldeia fértil, oásis escondido, eu te imortalizo agora nestas humildes palavras, tão humildes que nunca poderão fazer justiça a todo o teu esplendor. A ti, oh aldeia imortal. A ti, oh lar de todos. A ti, oh inesquecível Escusa. Para mim és tu, a outros outro paraíso espera.
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Sintra?
ResponderEliminarNa verdade a descrição é sobre a Escusa, uma aldeia do distrito de Portalgre, junto de Castelo de Vide. No entanto, foi uma bela observação. A descrição podia perfeitamente ser de Sintra, até porque também tenho uma gande ligação a tal lugar.
ResponderEliminarParece ser um sítio muito especial. Eu ainda não tive oportunidade de ir a Sintra, mas a vontade é muita.
ResponderEliminarTenho de me lembrar de quando passar perto de Escusa ir lá dar uma vista de olhos :)