Uma coisa que escrevi no dia da Manifestação do Ensino Superior 22/11/2012
Hoje vi o povo. Centenas de estudantes que saíram à rua em defesa dos seus direitos, em defesa de um ideal em que acreditam. Vi pessoas como eu que interromperam o seu quotidiano e foram para a rua gritar. Vi rostos desolados, olhares sem esperança. O povo já não ri, o povo já não sonha. Sim, hoje eu vi o povo. Essa entidade da qual todos falam mas que poucos compreendem. Hoje não vi pessoas isoladas, personalidade sozinhas. Vi centenas de estudantes, pessoas, cidadãos, em sintonia perfeita que caminhavam lado a lado. Isso é o povo. Não sou eu nem és tu, somos todos nós, juntos. Uma massa que grita, um conjunto que marcha.
Não desprezem o povo, não o ignorem. O povo não existe! É uma ideia, um ideal. Uma categoria uma agregação, pessoas de diferentes realidades. O povo só se forma quando pessoas se juntam, quando há união. O povo só se forma quando o ego desaparece, quando a individualidade se junta ao colectivo. É uma causa comum, um conjunto de indivíduos. Hoje vi esse conjunto. Um ideal que se materializou. Todos quantos ali se reuniram, todos quantos ali gritaram, todos quanto ali expressaram o seu descontentamento formaram esse conjunto, criaram esse conceito.
Hoje vi o povo. Éramos muitos. Eu também lá estava, fiz parte dele. Ajudei criá-lo e, no fim, deixei-o morrer. Quando a última voz parou, quando o último grito soou, quando o último espírito serenou, o povo morreu. Mas há-de voltar a nascer, há-de-se erguer de novo. Ele virá quando dele precisarmos, quando se sentir a sua falta. Ele há-de vir das brumas, numa manhã de nevoeiro. Aí não seremos centenas de estudantes, seremos milhares de pessoas, milhares de cidadãos. Todos juntos faremos o povo mais forte que nunca e então lutaremos! A injustiça deste mundo, o mal deste país, tudo ruirá. A praia jaz debaixo do chão que calcetámos, debaixo do cimento das nossas estradas. Iremos procurá-la, todos juntos! Uns irão cantar, outros tocar, uns irão escrever e outros ler, uns irão gerir e outros construir, mas todos iremos governar, guiar o destino e decidir a fortuna!
Todos somos diferentes mas todos somos iguais. Há opções e talentos que nos separam mas uma condição que nos une. Chegará o tempo em que daremos as mãos e aceitaremos esta condição. Chegará o tempo em nos veremos como irmãos.
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