António e seu pai partiram nessa noite rumo ao desconhecido. Tal aventura sempre mudou a vida de quem a fez, o que António não sabia é que a mudança seria tão boa para si. A ignorância que revelava e a desconfiança face ao que é novo resultavam de nunca ter saído daquela pequena localidade em que vivia. No entanto, a necessidade fala sempre mais alto e o mundo daquele rapaz de dezassete anos foi forçado a desabrochar. A despedida de Manuel foi o que mais lhe custou. Seu amigo de toda a vida, aliás, o único amigo que alguma vez tivera ficaria preso no local de onde António fugia. Não obstante, o que o prendia naquele lugar não conseguiu ser mais forte que o chamamento da novidade. Tinha perfeita noção o quanto custava ao pai viver no local onde tinha perdido o seu grande amor, aliás, também sentia a presença constante da sua mãe naquela casa. Era um fardo de que se queria livrar e de que queria livrar o seu pai. As memórias devem ser o nosso refúgio do passado e não aquilo que nos persegue e impede de viver o presente.
- Se for bom não regressarei mais, se for mau cá me terás novamente... - disse António em jeito de despedida.
- Se não voltares, irei eu procurar por ti! O que para ti é bom para mim também será certamente! - respondeu Manuel tentando aliviar o tom pesado a conversa.
Abraçaram-se então num gesto que selou aquela grande amizade para sempre. António soube então que, onde quer que acabasse, iria voltar a encontrar Manuel pois as grandes amizades estão destinadas a serem vividas a dois.
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