Quando o sol nasce, invade todo o ambiente com alegria e cor. Os espectros sombrios ganham uma nova face e enquadram-se na explosão de emoções. De sombrios e imperceptíveis passam a agradáveis e identificáveis. Esvoaçam pelo mundo e ficam sob o olhar sonhador de quem observa. A caixa rígida desaparece e a acção sem limites toma o seu lugar.
O raio de sol que passa pela janela desbota a minha serenidade tornando-a, desajeitada, numa nuvem bonita. Oh! nuvem bonita, sem ti o que faria eu num quadro inocente despido de maldade e ambição que representa uma campainha desagradável que toca sem parar quando menos a desejam? O olhar que me fita do quadro feio ao fundo da sala causa-me estranheza e transporta-me para o Oriente como homem que sou. A minha viagem não me leva a lado nenhum. O sol continua a irritar a minha pele e uma pessoa passa rápida por mim levantando o vento melancólico daquilo que relembro. A cadeira em que me sento é uma campainha desagradável que toca sempre que me tento levantar. Nada naquela porta me tenta a atravessá-la e, no entanto, o tapete carinhoso transporta-me pelo ar para onde quero ir. A cadeira prende-me frente ao quadro inocente que se mancha agora de um vermelho intenso e corrompe a sua essência. Sinto repulsa de tudo isto. O sol queima-me a face.
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