terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Será que nos é permitido amar?


Será que nos é permitido amar? Amarmo-nos um ao outro com puro sentimento. E será que nos é permitido viver esse amor? Unirmos os nossos corpos e os nossos espíritos num só e estender através da vida do outro a nossa própria. Seremos realmente donos da nossa vontade? Conseguiremos nós domar todas as adversidades e tornar soberana a nossa união? Perguntas que me atormentam, respostas que eu não tenho. Não são inocentes as minhas questões. Pergunto aquilo que quero saber, aquilo que me preocupa. Procuro um futuro, uma união, uma relação. As minhas perguntas desfilam pelo longo caminho da dúvida, da incerteza. São tudo inquietações que escolhi ter, uma decisão que fiz há já algum tempo, no primeiro contacto, na primeira carta, no primeiro beijo... Agora vejo-me perante um ponto decisivo. As cartas foram jogadas e o jogo encontra-se todo em cima da mesa. As perguntas que fiz não foram inocentes. Fi-las porque gosto de ti, porque me interessas, porque quero descobrir o futuro. Será um futuro a dois ou longa estrada para um velho caminhante? O sentimento começa a remover as teias que prendem o coração e o espírito começa a ganhar um novo ânimo. Desta vez será permanente? E eis que partes. Vejo-me novamente sem ti. Fomos tudo e agora somos pouco. Vivemos da memória dos dias dourados, da lembrança da felicidade. Tudo o que tínhamos desfez-se com a distância. Agora estás longe, lá para os lados de Coimbra e eu aqui, sozinho, na capital. Voltámos a viver das cartas, das mensagens pontuais do desejo de novo encontro. Ainda ontem te tinha nos braços. Os teus lábios tocavam nos meus a toda a hora e conduzia por Lisboa contigo a meu lado, com a tua mão na minha perna. Nunca me esquecia da tua presença. A constante das mãos entrelaçadas, as conversas imperdíveis, os silêncios reparadores... Foi tudo tão mágico! Da incerteza do desconhecido à necessidade da companhia, da presença. O receio de te conhecer, de vir a não gostar de ti, foi suplantado pelo fascínio dos teus loiros cabelos, pela doçura da tua voz, pela tua rectidão. De postura direita e de trato refinado, projectaste uma imagem que eu vi como um guia, um modelo. A tua perfeição, a tua postura sobre as matérias leva-me a admirar-te e a esforçar-me por te acompanhar. És como uma imagem de perfeição que eu tento alcançar e a tua presença é um guia para mim, um modelo para seguir. Gostei do que vi, gostei do que senti. As palavras que me endereças-te em todas aquelas cartas tiveram a sua materialização perfeita. Agora só nelas me posso refugiar. Agora só podemos existir na sua releitura. Mas não só das nossas palavras se faz a história, também o que outros escreveram antes de nós, os nossos antepassados, entra para a equação. Tenho lido os grandes clássicos da Rússia, os escritos dos grandes mestres do romance. De alguma forma, consigo rever-te através das personagens fictícias e reviver o nosso fugaz romance através das suas eternas juras de amor. Ainda não tenho as respostas para as minhas perguntas e talvez nunca venha a ter. A vida deve ser vivida, dia após dias e, para ajudar essa vivência, temos a experiência, a memória, o passado... O futuro ao futuro pertence e nele estão todas as respostas que procuro. Não devemos procurar saber demais, conhecer o inteligível, antecipar o nosso fado. Não sei o que temos nem o que vamos ter, não sei o que somos nem o que vamos ser. Mas sei o vivemos naqueles dias, lembro-me do que tivemos nas nossas mãos. Gostava de saber que o amor está ao nosso alcance agora como esteve nesses dias. Que a distância que nos separa não separa as nossas almas, as nossas mentes. Que esta aposta que fazemos não é um erro, uma árvore sem frutos, estéril... As cartas já foram jogadas e o jogo está em cima da mesa, à vista de todos. Abandonamos a sala ou continuamos a jogar?

2 comentários:

  1. Um jogo, duas pessoas. Uma mesa, cartas em cima desta. Que o jogo continue. A distância é crua, mas o amor é terno. É forte, tão forte que é capaz de vencer barreiras e obstáculos impostos pelo destino. Se sabes jogar com mestria, continua o jogo. A vida não é isso mesmo? Um jogo? Para quê desistir? Para quê desistir de algo que demorou tanto tempo a construir e por quem nutres algo tão grandioso? Se há coisa que a vida me ensinou foi a não desistir, porque se desistires, o jogo vira-se contra ti e perdes oportunidades de conquistar o que desejas.

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    1. é isso mesmo. vale sempre a pensa tentar desvendar o que a vida nos esconde ou o que nos preparou!

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