Um olhar indiscreto. O embaraço
de uma espreitadela demorada, daquelas em que os olhares se cruzam e se
demoram, como que presos um ao outro. E depois a vergonha, as faces a corar, a atrapalhação
de não saber que posição dar ao corpo. Dizem que a primeira impressão é
fundamental na formação do juízo que se tem sobre a pessoa. Esta foi a minha
primeira impressão: eras a rapariga do fundo da sala. Aquela para quem eu
olhava quando já não suportava a monotonia do restante, aquela para quem eu
olhava para me sentir mais vivo, para sentir que não estava a definhar por
dentro. Causavas várias reações em mim e promovias os mais diversos
pensamentos. Fazias mexer o mecanismo cá dentro e, assim, eu sabia que não
estava morto, a definhar. Já não estamos aí, já não podemos estar aí. Estamos
noutro lado qualquer, talvez melhor, sem dúvida mais interessante. Caminhamos
em direção a algo que desconhecemos, que ignoramos, que tememos. Mas eu sei que
é aí que quero estar. Eu sei que é esse o caminho que quero percorrer.
Dás-me a tua mão?
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