Sei que nunca mais beijarei os
teus lábios e isso consome-me qual labareda infernal que arde dentro do meu
estômago. À volta do pescoço, sinto uma corda que se aperta mais a cada momento
tornando extremamente complicado a respiração. A garganta seca e o olhar vazio.
A angústia. Sinto um apelo fortíssimo em deixar tudo e partir ao teu alcance,
enquanto a tua presença ainda se encontra no meu modesto raio de ação. Desejo
ver-te outra vez mas sei que nada irá mudar. A angústia não passará, apenas
será adiada. Seja hoje ou amanhã, a nossa despedida é inevitável. Tu não
pertences aqui. De que serve ver-te de novo, saciar a louca vontade de ti? Sei
que nunca conseguirei captar-te a essência, guardar-te para mim. Hoje ou
amanhã, irás sempre tornar-te numa memória e nada mais que isso. Oh, como eu
desejo a evitabilidade do inevitável... Se ao menos fosse eu dono do destino,
nunca partirias de junto de mim. Serias a tal e assim te trataria. A mulher
mais bela que alguma vez conheci, beijei, abracei… E partes no dia seguinte. A
diversão que dá lugar à lágrima, o êxtase que dá lugar à angústia. Pergunto-me
se sentirás o mesmo, agora que também te deves estar a deitar numa cama vazia.
Se ao menos houvesse alguma maneira de prolongar a sensação de te ter
junto a mim, captá-la, guardá-la, senti-la sempre que quisesse... Sei que, invariavelmente,
a memória acabará por se desvanecer e quero lutar contra isso com todas as
minhas forças.
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