...continuação
E ela não veio. Não era suposto que tivesse vindo, não posso dizer que tenha ficado desapontado. Triste talvez, vazio de uma esperança filha do pensamento que eu próprio tinha criado e alimentado. A conferência começou e acabou. Eu escutei tudo com muita atenção, se lá tivesse estado seria provável que nem me tivesse apercebido do seu tema. E depois, como faria a notícia, como faria o meu trabalho do qual depende a comida na minha mesa? Não queiras ser a causa da minha desgraça! Oh, mas que digo eu? Não será a desgraça emocional, espiritual, a da pior espécie? De que vale um pão a alguém sem esperança? Ou a alguém de esperança traída... Não digo que fosse este o caso, estou só a divagar. Deixem-me divagar, faz-me bem ao pensamento, abstrai-me das infinitas preocupações que me enchem a minha limitada mente. Por que teria eu de ter limitações, por que haveria o ser humano de carregar o tão pesado fardo da sua constante auto-superação? Que canseira!
Acho que este texto capta muito bem aquela necessidade de criar situações imaginárias para certas alturas da nossa vida. É nesses momentos imaginários que o fardo constante da auto-superação se torna mais leve.
ResponderEliminarMuito bom, tanto este como o anterior, parabéns :)