quarta-feira, 8 de maio de 2013

Estou lá perto?


Sentado ali, naquela sala repleta de gente, sentia-me sozinho, mergulhado nos pensamentos que me surgiam ao ler o livro que pegava pela primeira vez. Daquelas páginas com cheiro a novo só me arrancava a incerteza da sua chegada, a certeza de que não viria. Ou viria? Como poderia vir? Disse-me que não vinha, que estaria ocupada. É certo que não a veria naquele dia. Mas a cada página que passava, levantava os olhar para espreitar em redor. E a cada pessoa que passava? Pensava sempre ser ela. Mas não era. Estava sentado perto da entrada e o meu campo de visão fazia um ângulo reto com a porta. A expectativa aumentava ainda mais, a incerteza era soberana!


A ideia ocorreu-me no caminho para lá, a ideia de que poderia aparecer, como que de surpresa. Que significado teria isso! Dava-se ao trabalho de me surpreender, de interromper o processo natural da vida para ali estar, não sei se por mim se pela ocasião (mas também que interessa isso para o caso?). Claro que a esperança era infértil, infundada, e teimava em morrer. Eu sabia que não iria, ela própria me tinha dito! Mas seria mesmo assim, seria isso verdade? A minha perceção da realidade limitava-se às quatro paredes daquela sala e à minha imaginação sobre o que poderia atravessar aquela porta. 
Continua...

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