Sentado ali, naquela sala
repleta de gente, sentia-me sozinho, mergulhado nos pensamentos que me surgiam
ao ler o livro que pegava pela primeira vez. Daquelas páginas com cheiro a novo
só me arrancava a incerteza da sua chegada, a certeza de que não viria. Ou viria?
Como poderia vir? Disse-me que não vinha, que estaria ocupada. É certo que não
a veria naquele dia. Mas a cada página que passava, levantava os olhar para
espreitar em redor. E a cada pessoa que passava? Pensava sempre ser ela. Mas não
era. Estava sentado perto da entrada e o meu campo de visão fazia um ângulo reto
com a porta. A expectativa aumentava ainda mais, a incerteza era soberana!
A ideia ocorreu-me no caminho para lá, a ideia de
que poderia aparecer, como que de surpresa. Que significado teria isso! Dava-se
ao trabalho de me surpreender, de interromper o processo natural da vida para
ali estar, não sei se por mim se pela ocasião (mas também que interessa isso
para o caso?). Claro que a esperança era infértil, infundada, e teimava em morrer.
Eu sabia que não iria, ela própria me tinha dito! Mas seria mesmo assim, seria
isso verdade? A minha perceção da realidade limitava-se às quatro paredes
daquela sala e à minha imaginação sobre o que poderia atravessar aquela porta.
Continua...
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